Quando fala-se em economia circular, estamos pensando em novo modo de cuidar do planeta e olhando para o futuro. Com uma população cada vez mais consumista, é fundamental pensarmos em formas de aproveitar ao máximo um determinado produto. O produto é criado com um objetivo específico e após cumprir com seu propósito, acaba sendo descartado. Mas deve-se pensar que nada impede que seja dado a este um novo destino, através da reintrodução na cadeia produtiva com foco em benefícios para toda a sociedade. O que seria um resíduo agora torna-se um insumo para um novo processo.

 

Desde a Revolução Industrial, lá em meados do século XVIII, e posteriormente com a implantação do capitalismo, a produção econômica da nossa sociedade funciona baseada praticamente em três valores: extrair, transformar e descartar. E essa prática funciona muito bem para os grandes produtores. Claro que funciona, afinal, na maioria dos casos, o “descarte” não é problema deles. O problema é do meio ambiente, que vai ficando cada dia mais sobrecarregado de resíduos não recicláveis. O ser humano consome desenfreadamente os recursos da natureza de forma linear, como se nunca fosse acabar.

Em todo caso, a verdade é que esse modelo econômico está chegando aos seus limites físicos. Cada dia que passa, mais lixo é jogado nos oceanos, nas matas e nas próprias cidades e o nosso planeta está a poucos passos de não aguentar mais (e reagir).

Buscando reparar exatamente essa produção e descarte desenfreados, se desenvolveu o conceito de Economia Circular, que tem como objetivo principal minimizar o impacto humano ao meio ambiente por meio de três palavras-chave – redução, reutilização e reciclagem de materiais e energia.

O conceito pode parecer um pouco complicado, mas ideia é bem simples: criar um sistema de produção circular, no qual os resíduos são a própria fonte de matéria-prima para a produção de novos produtos, ou seja, o que outrora era apenas descartado no meio ambiente, agora desde o início, já é desenhando de forma que seus matérias, embalagens e componentes, possam ser recuperados para voltar ao processo produtivo.

Se você pensar bem, não é diferente do próprio exemplo que a natureza dá: no meio ambiente, o resto de uma fruta que foi comida por um animal, se decompõe e vira adubo para plantas, dando início a um novo ciclo. Genial, não é?

Para tornar o assunto mais fácil de entender, vale assistir a esse vídeo que explica de maneira bem visual o que é economia circular:

O MLC foi buscar juntamente um estudo realizado pelo Professor Aldo Ometto, Coordenador do Grupo de Pesquisa em Engenharia e Gestão do Ciclo de Vida e Líder do Convênio de Pioneer University em Economia Circular da USP com a Fundação Ellen McArthur, no qual ele discutiu um pouco mais sobre o tema de deu um panorama sobre os avanços do país nesse sentido.

Quais os benefícios da Economia Circular na economia brasileira?

“A Economia Circular já traz muitas oportunidades para a economia e a indústria brasileira, agregando e recuperando valor de modo mais resiliente e sustentável. Mas, para que a Economia Circular ganhe escala e realize todo o seu potencial, é necessário criar as condições facilitadoras para essa transição, como educação de melhor qualidade, políticas públicas específicas, infraestrutura voltada a circularidade e tecnologias inovadoras.

O Brasil deve se beneficiar ao aumentar a oferta de empregos, ao promover práticas associadas a serviços de manutenção, ao criar mais atividades econômicas estruturadas relacionadas aos ciclos reversos, como a reciclagem (recuperação de materiais) e a remanufatura (recuperação de produtos), e fortalecer as cadeias e ao promover novos negócios com soluções inovadoras que aumentem a competitividade e a penetração da indústria nacional nos mercados nacional e global”.

Você pode dar um exemplo de algum país que já faz o uso desse tipo de economia?

“Estimativas na Europa mostram que práticas associadas à Economia Circular podem trazer redução de custos de mobilidade entre 60 a 80%, a partir de sistemas e soluções que usem energias renováveis.

No Reino Unido, a indústria manufatureira, por exemplo, está se reinventando nos últimos anos: além da atividade fabril, está se tornando prestadora de serviços de alta qualidade. Um dos casos clássicos desta mudança é a Rolls-Royce, a qual, nos últimos dez anos, deixou de ser apenas uma fornecedora de turbinas para se transformar em uma empresa que oferece soluções completas para a aviação, garantindo a disponibilidade e o funcionamento contínuo destes equipamentos. Com isso, mais da metade da sua receita tem sido dos serviços relacionados à manutenção, demonstrando bem como a economia circular é proveitosa para todos os lados do mercado”.

Como a economia circular pode ajudar a reduzir a produção de lixo no Brasil?

“Um exemplo disso é o Programa Mineiro de Simbiose Industrial, que já envolve 760 empresas no estado de Minas Gerais. Por meio de workshops organizados pela FIEMG, as empresas aprendem sobre o potencial de geração e integração de valor a partir da simbiose industrial, compartilham experiências e identificam oportunidades de colaboração, permitindo que materiais antes considerados resíduos para uma indústria passem a ser utilizados como matéria-prima por outras.

De 2009 até 2015, foram recuperadas cerca de 140 mil toneladas de resíduos que antes iriam para o aterro; 200 mil toneladas de recursos naturais virgens deixaram de ser utilizados; 90 mil toneladas de carbono deixaram de ser emitidas; e mais de 13 milhões de m³ de água foram reutilizados. Além disso, a reciclagem dos materiais resultou na redução de 8,7 milhões de reais em custos para as empresas participantes.

Outro exemplo bem bacana é a empresa Tarkett , uma empresa brasileira de pisos vinílicos. Hoje, a Tarkett desenvolve novos produtos com foco em design de ciclo fechado, promovendo “materiais seguros”, gestão de recursos, espaços agradáveis para as pessoas e reutilização, o que exige pensar alternativas para o pós-uso desde o princípio. A empresa consegue reciclar e reinserir, no seu processo produtivo, 100% da sucata gerada no processo de fabricação. Além disso, 67% dos materiais usados pela empresa não contribuem para a escassez de recursos – sua meta chegar a 75% em 2020”.

 

 

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