Desenvolvimento Sustentável:
o que é, e quais são seus objetivos

Com o passar do tempo, o conceito de sustentabilidade acabou sendo associado de forma limitada pelo grande público a “ações ecológicas” ou “menos poluentes”. A boa notícia é que marcas que se assumem como sustentáveis já são vistas de forma mais positivas pelos consumidores, ainda que não entendam exatamente o que isso quer dizer. A mais notícia é que as limitações do conceito no imaginário coletivo interferem nas normas no entendimento do que é “desenvolvimento sustentável”.
É importante termos em mente que a essência da definição de sustentável está em perpetuar o planeta, sendo diretamente associada a palavras como legado, continuidade e equilíbrio. Para haver um desenvolvimento sustentável pleno, é necessário planejamento e, acima de tudo, considerar que os recursos naturais são finitos. A permanência do mundo como conhecer depende de como conseguir gerenciar impactos no presente e no futuro próximo. Os recursos são finitos e todos somos responsáveis pela conservação dos mesmos. Entretanto, pode ser difícil compreender quais ações estão sendo realizadas, na prática, e que podem garantir esta continuidade.
Para esclarecer esse ponto desenvolvemos este artigo com o objetivo de apresentar uma definição de desenvolvimento sustentável, que movimentos as empresas estão realizando e o papel do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável) nesse contexto. Confira!
O que é desenvolvimento sustentável?
O desenvolvimento sustentável é aquele capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem colocar em risco a capacidade de atender às gerações futuras. Por isso, conforme já citado neste artigo, a definição está vinculada aos termos “legado” e “continuidade”. Em resumo, o desenvolvimento sustentável também diz respeito à necessidade de compensar hábitos de consumo e produção, focando na qualidade (como produzimos, o que, por que e para quem) em vez de quantidade, com o uso de materiais-primas que sejam provenientes de fontes limpas e verdes, além da adoção de mecanismos de mitigação e compensação, e o aumento da reutilização e da reciclagem.
Desenvolver-se de forma sustentável, seja em pequena esfera (no contexto de uma empresa, por exemplo), ou em larga esfera (no contexto de um país), pressupõe que seja possível às pessoas, agora e futuramente, atingir um nível de desenvolvimento socioeconômico e cultural fazendo uso razoável dos recursos naturais, de forma a não esgotá-los para as próximas gerações.
Para conquistar tais resultados é necessário planejamento, bem como o entendimento de que os recursos são finitos. Por isso, não podemos confundir desenvolvimento sustentável com crescimento econômico, uma vez que este último costuma depender do consumo crescente de energia e recursos naturais. A grande diferença deste pensamento está em promover o equilíbrio entre os objetivos de desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e a conservação ambiental.
Que movimentos estão sendo feitos em prol do desenvolvimento sustentável?
A preocupação da comunidade internacional com os limites do desenvolvimento do planeta é uma realidade, e dentro deste contexto existem grandes ações sendo realizadas como o Acordo de Paris e os ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável), e também ações do cotidiano de cada um de nós e também das empresas.
Entenda melhor:
Sobre o Acordo de Paris
O Acordo de Paris, firmado na COP 21 (Conferência das Partes, promovida pela ONU), passou a valer a partir de 4 de novembro de 2016, e traz um compromisso e plano de ações a serem desenvolvidas pelos países para combater as mudanças climáticas.
Para a entrada em vigor do acordo, que substituiu a partir de 2020, o Protocolo de Kyoto, 55 países que representam 55% das emissões de gases de efeito estufa precisavam ratificá-lo. Isso aconteceu em 4 de novembro de 2016. Até junho de 2017, 195 países assinaram o acordo, e 147 destes, entre eles o Brasil, o ratificaram.
O que são ODS?
ODS é a sigla para Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, surge em 2015 e faz parte do documento “Transformando Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável” publicado pela ONU. O documento é composto, entre outros itens, por 17 ODS que visam a melhoria da qualidade de vida das pessoas, preservando o ecossistema e garantindo prosperidade econômica. Para mais informações, confira este artigo.

Principais movimentações das empresas em relação ao desenvolvimento sustentável
Apesar da conscientização de que as mudanças não são opcionais, mas primordiais, ainda existe a necessidade de maior adaptação do setor empresarial. Aderir ao desenvolvimento sustentável vai muito além de ser bom para o planeta: a mudança de atitudes garante a continuidade dos negócios.
Em 2022, 70% dos brasileiros acreditavam que o aquecimento global prejudica a todos, e 90% deles também acreditam que com o passar dos anos aumentarão ainda mais os desastres provocados pelas alterações climáticas. Em pesquisa realizada no Brasil, dos 100 líderes empresariais dos maiores grupos corporativos presentes em diferentes setores, 99% acreditam que a sustentabilidade é importante ou muito importante para os negócios e que as empresas desempenham papel indispensável para viabilizar a mudança de modelo. A pesquisa reforça a tese de que os grandes desafios econômicos, ambientais e sociais podem e devem ser transformados em oportunidades.
Diversas empresas já estão trabalhando com o modelo de Economia Circular, no entanto, as empresas enfrentam um desafio crescente para expandir e criar valor em meio a um cenário de instabilidade e escassez no fornecimento de recursos, com elevação de custos e incertezas nos negócios.
A chave para gerenciar este desafio é a Economia Circular, modelo alternativo que dissocia o crescimento da utilização de recursos escassos, pois possibilita o desenvolvimento econômico dentro dos limites dos recursos naturais e promove a oportunidade às empresas de inovação.
O conceito consiste em um ciclo de desenvolvimento positivo contínuo que preserva e otimiza o capital natural, a produção de recursos e minimiza riscos sistêmicos, administrando estoques finitos e fluxos renováveis.
De forma mais prática, entre os modelos de negócio da economia circular está a extensão do ciclo de vida dos produtos, que visa estender o ciclo de vida útil de mercadorias e seus componentes por meio de reparo, upgrade e revenda. Para elucidar melhor o conceito e os outros modelos de negócio propostos pela economia circular, basta acessar este documento.
Capital Natural:
Atualmente, podemos contar com muitas ações e ferramentas para a implementação de estratégias de sustentabilidade bem sucedidas nas empresas. Um exemplo disso é a valorização do capital natural que dá a dimensão de quanto custa cada ação contra a natureza e para os negócios. As instituições financeiras passaram, em diversas situações, a incorporar esse conceito quando fazem as análises de projetos que buscam financiamento, pois entenderam as repercussões dos riscos associados ao uso intensivo dos recursos naturais do planeta e seus impactos eventuais na atividade/produtividade das corporações.
Neste breve vídeo , com legendas em português, o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD) explica melhor a importância da mensuração e valorização do capital natural para as empresas.
O estilo de vida sustentável e o brasileiro
Segundo o estudo: “Estilo de vida sustentável no contexto brasileiro”, realizado pelo CEBDS, em parceria com a HAVAS (2015) os brasileiros esquecem ter consciência dos riscos do consumo excessivo:
- 84% dos entrevistados acreditam que o progresso não é sobre consumir mais, mas consumir melhor;
- 75% entendem que o consumo excessivo está colocando nosso planeta em risco e ter uma sociedade melhor e mais sensível às questões ambientais, onde as pessoas compartilham mais e possuem menos.
Porém, no Brasil o consumo é fortemente associado ao sucesso:
- 67% das pessoas dizem que respeitam/admiram as pessoas que têm dinheiro suficiente para comprar ou que quiserem;
- 57% afirmam que se as pessoas consumirem menos, acabarão com os empregos;
- 50% das pessoas acreditam que uma economia saudável requer um nível elevado de gastos dos consumidores.
Em 2021 a FORBES lançou um estudo sobre a percepção dos brasileiros sobre sustentabilidade, e é possível obter avanços nesse tema:
- 82% dos brasileiros compartilham a sustentabilidade um tema relevante;
- 37% deixaram de consumir produtos de empresas que não atendem à agenda de sustentabilidade;
- mais de 60% adotam medidas e práticas sustentáveis como uso consciente da água e de energia elétrica;
- 49% procuram reutilizar embalagens e separar o lixo para reciclagem;
- 62% levam em consideração a postura da marca em relação ao meio ambiente no momento da compra;
- 62% preferem pagar mais caro por produtos que agridem menos o meio ambiente;
- 81% tem prazer em comprar itens sustentáveis;
- apenas 2% afirmam não colocar em prática nenhuma ação sustentável.
O estudo lançado em 2023 (TEADS) traz ainda mais mudanças na percepção do brasileiro sobre sustentabilidade:
- nove em cada 10 brasileiros declaram que a sustentabilidade tem papel importante em suas vidas;
- 87% buscam fazer uso racional da água;
- 76% fazem uso racional de energia elétrica;
- 68% reutilizam embalagens;
- 67% têm costume de separar o lixo para reciclagem;
- oito em cada 10 brasileiros consomem e buscam produtos e informações sobre as práticas sustentáveis das empresas das quais compram produtos e serviços.
De forma geral, o paradigma de consumo atual dos brasileiros deve ser mudado, pois têm boas intenções, mas ainda compram muito.
No que tange ao campo corporativo, o brasileiro acredita que as empresas devem aprimorar sua cadeia de produção, considerando, além dos ganhos de receita e dividendos, melhor impacto social e ambiental, o que inclui desde formas de descarte de produtos e embalagens à redução da desigualdade social. (Fonte: https://projetocolabora.com.br/ods12/brasileiros-acham-que-e-caro-manter-uma-vida-sustentavel/)
Qual o papel do CEBDS para o desenvolvimento sustentável?
O CEBDS dedica-se a soluções e inovações inovadoras no setor empresarial, além da capacitação e disseminação de tecnologias.
Existem diversos temas e áreas importantes que trabalham são pela organização por meio das Câmaras Temáticas (fóruns que reúnem representantes de empresas associadas ao CEBDS para construção e desenvolvimento de projetos relacionados aos grandes temas da sustentabilidade), que abarcam sete áreas prioritárias:
Clima, Energia e Finanças Sustentáveis
Muitas empresas nacionais e internacionais já começaram a gerenciar o impacto de suas atividades sobre o clima, reconhecendo, comunicando e estabelecendo metas de redução de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE).
Algumas delas também exploram estratégias orientadas para o mercado. Mesmo com as incertezas referentes ao futuro das regulamentações e pressões de mercado, o momento atual já é suficiente para que as empresas obtenham benefícios por gerenciarem seus impactos sobre o clima.
Além disso, o setor empresarial em grande parte já reconhece a necessidade de uma transformação no modo como produzimos e consumidos e já está adotando medidas para mitigação, como a compensação de emissões de carbono, por exemplo, ou investindo em transição energética para fontes limpas e renováveis ou pela adoção de uma taxonomia verde em âmbito nacional.
No âmbito das Finanças Sustentáveis, o financiamento pró-clima consiste em recursos de instituições públicas, como o BNDES. Entretanto, existe a participação crescente de outros bancos e agências de desenvolvimento. O Banco do Nordeste e a agência de fomento Desenvolve SP são alguns dos exemplos.
Esse aumento de participação acontece tanto pelo repasse de linhas do BNDES, como pelo investimento de recursos próprios e participação em consórcios bancários. Grande parte do financiamento climático do país é direcionado para investimentos em projetos e tecnologias de eficiência energética e energias renováveis.
Um estudo da Carbon Trust apontou uma oferta de R$400 milhões em linhas de financiamento e instrumentos financeiros exclusivos para esta área no país.
Comunicação e Educação
A dinâmica do desenvolvimento sustentável aplicada aos negócios das empresas concretiza o conceito de sustentabilidade, visando à manutenção, continuidade e sobrevivência dos negócios.
Essa dinâmica afeta a reputação da empresa e, consequentemente, desempenho, aceitação ou a rejeição de seus públicos. Há empresas que assumem um compromisso com o mundo e não só repensam seus processos para torná-los amigáveis ao futuro, como disseminam essa ideia.
Nesse contexto, a comunicação e a educação são estratégicas para que as empresas comuniquem-se de forma efetiva e produtiva com seus stakeholders, além de instituições governamentais e da sociedade civil, e inspirem mudanças de comportamento rumo a um modelo de desenvolvimento mais sustentável.
As empresas podem ser agentes de mudança local, regional e até planetária, informando corretamente suas ações, atitudes e posturas em busca da sustentabilidade. É preciso que a empresa tire o foco de si e valorize a multiplicação dos aprendizados, estimulando processos que educam o outro para ajudar a construir uma realidade mais sustentável.
Água
Há uma relação simbiótica entre o uso de recursos hídricos e os negócios. Além da dependência direta e indireta desse recurso natural essencial, algumas questões são pontos sobre os quais o setor empresarial precisa discutir e agir proativamente, como:
- uso múltiplo das águas;
- relacionamento dos usuários empresariais com suas contrapartes em uma mesma bacia;
- adaptação às intempéries climáticas;
- preocupações relacionadas ao nível de saneamento no país.
Um maior entendimento do papel do setor empresarial na dinâmica dos recursos hídricos é um fator importante para melhor alocação dos recursos, ganhos em eco-eficiência, diminuição de custos, aumento dos lucros e, principalmente, avanço da sustentabilidade a partir de um movimento decisivo deste setor.
Veja exemplos de investimentos em tecnologia em nove setores de alto consumo:

Biodiversidade e Biotecnologia
A biodiversidade sustenta o funcionamento dos ecossistemas dos quais dependemos para:
- alimentação;
- água potável;
- saúde;
- lazer;
- regulação do clima;
- proteção contra desastres naturais.
A sua degradação, portanto, afeta a capacidade dos ecossistemas de prestarem serviços essenciais para o bem estar humano e para os negócios.
As empresas que antecipadamente já perceberam a necessidade da mensuração do seu impacto, da sua dependência dos serviços ambientais e têm estratégias claras para utilizá-los da melhor maneira possível, estão em vantagem competitiva em relação às demais.
A Câmara Temática de Biodiversidade e Biotecnologia (CTBio) é formada por grandes empresas brasileiras e visa ajudar o setor a aproveitar novas oportunidades de mercado e minimizar seus riscos oriundos do uso da:
- biodiversidade;
- acesso ao patrimônio genético;
- uso e conservação de serviços ecossistêmicos;
- ferramentas de capital natural.
A CTBio acompanha e participa das Conferências das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) e de fóruns do Governo Federal e da sociedade civil, como o PainelBio e a Iniciativa Brasileira de Negócios e Biodiversidade – IBNBio.
Logística e Transportes
A logística é parte fundamental do processo de qualquer empresa, passando pela infraestrutura disponível até a dinâmica de contato com fornecedores e o escoamento final dos produtos. Uma malha multimodal capilarizada e com boa qualidade são fatores fundamentais à distribuição dos bens e serviços.
Entretanto, as questões de sustentabilidade devem ser consideradas nesta dinâmica. Por exemplo, a grande dependência do modal rodoviário – no caso brasileiro -, cujas rodovias não possuem um estado razoável de conservação para um país com dimensões continentais. Isso implica em:
- rede saturada;
- rede ineficiente;
- grandes emissões de GEE.
O cenário de mobilidade urbana também apresenta sinais de defasagem. O aglomerado urbano, o baixo planejamento das vias e o transporte público escasso e de baixa qualidade vêm transformando as cidades em um ambiente caótico para o deslocamento.
O resultado é a elevação do custo de trânsito tanto para o cidadão, quanto para as empresas. Com este cenário é extremamente necessário que se torne sustentável e eficiente a rede logística e a mobilidade urbana.
O setor de Transportes é um dos principais responsáveis pelas emissões de GEE no Brasil e no mundo, em grande parte por conta da queima de combustíveis fósseis.
O Acordo de Paris converteu a promessa de redução das emissões em um compromisso legal, cujo objetivo central é manter a temperatura média global 2ºC abaixo dos níveis pré-industriais. O Brasil se comprometeu – por meio da NDC – a reduzir em 37% das emissões absolutas até 2025, necessitando assim uma força tarefa na área de transportes.
Impacto social
Os negócios constituem um fator significativo de impacto social na medida que:
- criam empregos;
- capacitam trabalhadores;
- constroem infraestrutura física;
- adquirem matérias primas;
- transferem tecnologias;
- pagam impostos;
- aumentam o acesso a produtos e serviços, desde alimentos até energia e tecnologia da informação.
As empresas afetam bens, capacidades, oportunidades e qualidade de vida das pessoas. Como essas pessoas são funcionários, clientes, fornecedores, distribuidores, varejistas e vizinhos, seu crescimento e bem-estar são muito importantes para o sucesso financeiro da empresa.
Atualmente, uma organização com clientes satisfeitos, cadeias de valor saudáveis, comunidades locais contentes e apoio dos governos e outros stakeholders é bem vista. Em consequência, o setor empresarial está cada vez mais interessado em medir seu impacto socioeconômico por uma série de motivos, desde a redução dos custos até a criação e aproveitamento das oportunidades.
