A PARA DV é uma ONG criada em 1995, que tem por objetivo
o desenvolvimento e a inclusão de pessoas com Deficiência Visual.
A PARA-D.V. é uma ONG (Organização Não Governamental) fundada em Araraquara em 1995 a partir da iniciativa conjunta de pais, professores e profissionais da área da saúde visual. Iniciou suas atividades com um curso de escrita e leitura braille e um serviço de adaptação de recursos ópticos e não ópticos para baixa visão. Ao longo do tempo, através de parcerias e da formação profissional específica da área, vários programas foram sendo implementados, alcançando hoje uma extensa gama de serviços na área da educação especial, habilitação e reabilitação do deficiente visual, com baixa visão e cegueira, em todas as faixas etárias.
Nossa história conta com mais de 22 anos trabalhando em prol da pessoa com deficiência visual e sua família.
Alex, participante dos programas da PARA-D.V. desde os 3 anos de idade. Hoje, nadador da FUNDESPORT e professor de Educação Física. Na imagem Alex está em pé vestindo uma camiseta azul e ao fundo o seu quadro de medalhas e troféus conquistados em competições municipais, estaduais, nacionais e internacionais.Nós, da PARA-D.V.(Associação para o Apoio e Integração do Deficiente Visual), começamos a partir da união de pais, adultos com deficiência visual e profissionais da área da saúde e educação com a finalidade de buscarmos meios para que pessoas com deficiência visual recebessem orientação e atendimentos especializados para garantir uma vida mais plena e participativa. Iniciamos nossas atividades em setembro de 1995, com a realização de um curso de Braille para adulto, de um programa de adaptação de auxílios ópticos e não ópticos e acompanhamento pedagógico para crianças. Ao longo dos anos, acrescemos vários programas e instituímos parcerias com órgãos públicos e privados, além de realizarmos cursos de formação para pais, professores e comunidade em geral. Durante nossos 22 anos de existência mais de 300 pessoas com deficiência visual e suas famílias foram atendidas.
Temos a missão de construir um mundo mais participativo e inclusivo.
Um casal de adultos deficientes visuais fazendo compras no supermercado.Acreditamos em um mundo no qual as pessoas com deficiência visual possam exercer sua plena cidadania por meio da participação em todas as instâncias sociais. E é na construção desse mundo que o nosso trabalho se fundamenta.
QUEM SOMOS
A PARA-D.V. é uma ONG (Organização Não Governamental) fundada em Araraquara em 1995 a partir da iniciativa conjunta de pais, professores e profissionais da área da saúde visual. Iniciou suas atividades com um curso de escrita e leitura braille e um serviço de adaptação de recursos ópticos e não ópticos para baixa visão. Ao longo do tempo, através de parcerias e da formação profissional específica da área, vários programas foram sendo implementados, alcançando hoje uma extensa gama de serviços na área da educação especial, habilitação e reabilitação do deficiente visual, com baixa visão e cegueira, em todas as faixas etárias.
EM QUE ACREDITAMOS
Que as pessoas com deficiência visual devam ter acesso a todas as oportunidades presentes na sociedade.
NOSSA MISSÃO
Oferecer meios e oportunidades e criar soluções na superação de barreiras, para que pessoas com deficiência visual se desenvolvam plenamente
IMPACTO
Agente transformador na conquista de uma sociedade inclusiva e igualitária de oportunidades e direitos.
O QUE FAZEMOS
– Intervenção precoce para bebês e crianças com deficiência visual com ou sem outras deficiências associadas
– Atenção plena à família
-Complementação escolar e suprimento quanto às necessidades especiais educacionais
-Programas de desenvolvimento de autonomia
-Inclusão profissional
-Espaço de convivência
-Produção de material escolar adaptado em ampliado e em braille
-Formação profissional
Pessoas e parceiros que fazem a PARA-D.V. cada vez melhor.

Profissionais
Maria Helena Palhares Viana
Coordenadora administrativa, educadora, especialista em Braille, Soroban e Orientação e Mobilidade
Lydia da Cruz Marques
Ortoptista, doutora em Educação Especial, especialista em baixa visão e coordenadora técnica da ONG
Alex Palhares Viana
Professor de educação física adaptada
Jaqueline Nogueira Viana
Psicóloga e psicopedagoga
Évelin Cristina dos Santos Fernandes
Auxiliar administrativo
Deise Cristina Cagnin Dias
Terapeuta ocupacional
Maria José Oliveira de Moraes
Assistente social
Atenção à Família
Na imagem aparece assistente social sentada e a sua frente uma mãe, entre elas uma mesa bege, durante entrevista.A atuação geral da PARA-DV tem como filosofia a participação da pessoa com deficiência e sua família. Para tanto, o trabalho inicial conta com o suporte de assistente social e psicólogo que buscam obter informações para que demandas, crenças e valores, assim como a situação sócio-econômica sejam conhecidas para o planejamento de uma atuação efetiva e ampla.
As modalidades principais de programas dirigidos às famílias são:
-Atendimento psicológico familiar
-Grupo bimensal de mães, pais e cuidadores dos bebês e crianças pequenas
-Encontro semestral com todas as famílias.
Intervenção Precoce
Imagem da terapeuta ocupacional posicionando uma criança com baixa visão sobre uma bola suiça e a sua frente a mãe apresentando fantoche e ao fundo o pai observando.
Imagem de um bebê com baixa visão no colo de sua mãe e a sua frente a ortoptista com uma tabela para avaliação da sua acuidade visual de pré-verbais.O objetivo deste programa, dirigido a bebês e crianças até 3 anos de idade com deficiência visual, é promover o seu desenvolvimento global e visual imediatamente após a constatação da deficiência visual.
A filosofia de atuação é transdisciplinar e colaborativa.
A mãe ou cuidador participa das sessões de intervenção , aonde recebe orientações e estabelece com a equipe as metas e as estratégias de intervenção que serão realizadas no dia a dia do bebê.
São atendidos bebês e crianças pequenas com deficiência visual, que tenham baixa visão ou cegueira com ou sem outras deficiências associada
Programa Pré-escolar
Imagem de um menino, com baixa visão, em posição de engatinhar, percorrendo com um carrinho verde na sua mão um caminho desenhado em branco sobre um TNT preto.
Imagem de uma menina com cegueira sentada no chão, segurando em uma das mãos o boneco brailino, enquanto na outra segura uma cela braille em EVA que está sendo apresentada pela psicopedagoga sentada no chão.Cada criança recebe atendimento individual com um professor especializado e terapeuta ocupacional para que alcance as metas de desenvolvimento global com ênfase na pré-alfabetização.
São realizadas ações de orientação aos profissionais da escola para favorece.
Programa Escolar



O programa está baseado em atividades de complementação às praticadas pela escola e tem como principal objetivo atender as necessidades especiais educacionais, garantir acessibilidade e o contínuo desenvolvimento da criança. Além disso, o programa inclui acompanhamento escolar das crianças, orientação aos profissionais das escolas e produção de material pedagógico adaptado.
As atividades principais são:
- Indicação e treino de auxílios óticos e não óticos para baixa visão
- Ensino da escrita e leitura pelo método Braille
- Ensino de matemática pelo método Soroban
- Treino de atividades de vida diária
- Treino de orientação e mobilidade
- Aprendizagem de informática adaptada
- Natação
O programa inclui acompanhamento escolar das crianças, orientação aos profissionais das escolas e produção de material pedagógico adaptad

Visão
Numa sociedade global assente na capacidade de ver, a visão desempenha um papel crítico em todas as facetas e fases da vida.
A visão é o mais dominante dos cinco sentidos e desempenha um papel crucial em todos os aspectos das nossas vidas. É essencial para as interacções interpessoais e sociais na comunicação presencial, onde as informações são transmitidas através de sinais não verbais, como gestos e expressões faciais.
Em todo o mundo, a construção das sociedades assenta na capacidade de ver. Cidades e vilas, economias, sistemas de educação, desportos, comunicação social e muitos outros aspectos da vida contemporânea são organizados em torno da visão. Assim, a visão contribui para as actividades quotidianas e permite que as pessoas prosperem em todas as fases da vida.
Desde o nascimento, a visão é fundamental para o desenvolvimento infantil. Para os bebés, o reconhecimento visual e a resposta aos estímulos dos pais, familiares e cuidadores facilita o desenvolvimento cognitivo e social e o desenvolvimento das habilidades motoras, a coordenação e o equilíbrio.
Desde a primeira infância até à adolescência, a visão possibilita o acesso imediato a materiais educacionais e é essencial para o sucesso escolar. A visão sustenta o desenvolvimento das habilidades sociais que promovem as amizades, fortalecem a auto-estima e mantêm o bemestar geral dos indivíduos. É também importante para a participação em actividades desportivas e sociais essenciais ao desenvolvimento físico, à saúde mental e física, à identidade pessoal e à socialização.
Na vida adulta, a visão facilita a participação na força de trabalho, contribuindo para benefícios económicos e para o sentido de identidade. Também contribui para o usufruto de muitas outras áreas da vida, muitas vezes projetadas em torno da capacidade de ver, como as actividades desportivas ou culturais.
Mais tarde na vida, a visão ajuda a manter o contacto social e a independência e facilita a gestão de outras condições de saúde. A visão ajuda também a manter a saúde mental e os níveis de bem-estar, mais altos entre os indivíduos com boa visão.
Factores de risco e causas de doenças oculares
Os factores de risco e as causas das doenças oculares incluem envelhecimento, genética, exposição e comportamentos relacionados com o estilo de vida, infecções e várias condições de saúde. Muitas doenças oculares são de origem multifactorial.
Muitos factores de risco aumentam a probabilidade de desenvolver ou contribuir para a progressão de uma doença ocular. Isso inclui envelhecimento, exposição e comportamentos relacionados com o estilo de vida, infecções e diversas condições de saúde.
O envelhecimento é o principal factor de risco para muitas doenças oculares. A prevalência de presbiopia, catarata, glaucoma e degeneração macular relacionada com a idade aumenta acentuadamente com a idade. A genética também desempenha um papel no desenvolvimento de algumas doenças oculares, incluindo o glaucoma, erros refractivos e degenerações da retina como a retinite pigmentosa. A etnia é exemplo de outro factor de risco não modificável que está relacionado a um risco maior de desenvolver algumas doenças oculares.
As exposições ou comportamentos relacionados com o estilo de vida também estão ligados a muitas doenças oculares. O tabagismo é o principal factor de risco modificável para a degeneração macular relacionada com a idade e contribui para o desenvolvimento da catarata. A nutrição também pode desempenhar um papel importante nas doenças oculares. Por exemplo, a deficiência da vitamina A, resultante da desnutrição crónica em crianças, pode causar opacidade da córnea. Além disso, ocupações como a agricultura ou mineração e actividades recreativas como,desportos de contacto, estão consistentemente relacionadas a um maior risco de lesão ocular.
As infecções oculares por agentes bacterianos, virais ou outros agentes microbiológicos podem afectar a conjuntiva, a córnea, as pálpebras e, mais raramente, a retina e o nervo óptico. A conjuntivite é a mais comum destas infecções. O tracoma, a principal causa infecciosa de cegueira no mundo, é causada pela bactéria chlamydia trachomatis. Factores de risco ambiental, incluindo higiene, saneamento e acesso à água, também são importantes para influenciar a transmissão da bactéria tracoma. Outras infecções que podem causar deficiência visual e cegueira incluem o sarampo, onchocera volvulus e parasitas do toxoplasma gondii, entre outros.
Certas condições de saúde, nomeadamente, diabetes, artrite reumatóide, esclerose múltipla e parto prematuro podem desencadear diversas perturbações oculares. Além disso, alguns medicamentos aumentam a susceptibilidade de desenvolver certas doenças oculares. O uso prolongado de esteróides, por exemplo, aumenta o risco de desenvolver catarata e glaucoma.
As origens de muitas doenças oculares são multifactoriais, com uma variedade de factores de risco que interagem para aumentar tanto a susceptibilidade como a progressão de uma doença. A duração da diabetes, a hemoglobina A1c alta e a tensão alta, por exemplo, são factores de risco importantes para a retinopatia diabética. Outro exemplo é a miopia, onde uma interacção entre factores de risco genéticos e ambientais, incluindo muitas actividades de focagem de perto e factores de protecção como passar mais tempo ao ar livre, pode desempenhar um papel importante no início e na progressão da doença.
O acesso a um atendimento oftalmológico de qualidade é um factor significativo no risco de progressão das doenças oculares e nos resultados do tratamento. Existem intervenções eficazes para prevenir, tratar e gerir as principais doenças oculares (em maior detalhe no Capítulo 3). É importante notar que, embora algumas doenças como o tracoma, possam ser evitadas, outras, como o glaucoma ou a catarata, não podem ser evitadas, mas podem ser tratadas para reduzir o impacto na acuidade visual.
Deficiência visual
A deficiência visual ocorre quando uma doença ocular afecta o sistema visual e uma ou mais funções visuais.
De acordo com a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), “Deficiência” é um termo geral usado para descrever um problema na função ou estrutura do corpo de um indivíduo devido a uma condição de saúde. Esta definição é compatível com a Classificação Internacional de Doenças 11ª Edição (CID 11). Consequentemente, uma deficiência visual ocorre quando uma doença ocular afecta o sistema visual e uma ou mais das suas funções visuais.
Normalmente, pesquisas de base populacional medem a deficiência visual usando exclusivamente a acuidade visual, com a gravidade categorizada como leve, moderada ou grave no que toca à dificuldade de visão ao longe e dificuldade de visão ao perto e à cegueira (Quadro 1.2). No entanto, no cenário clínico, outras funções visuais também são frequentemente avaliadas, como o campo de visão, a sensibilidade ao contraste e a visão de cores.
O Quadro 1.3 fornece detalhes sobre a evolução do conceito e definição de deficiência visual durante as últimas décadas.
É importante observar que, conforme descrito no Quadro 1.4, a maioria dos dados publicados sobre “deficiência visual” se baseia na medição da “acuidade visual apresentada” e não inclui indivíduos cuja deficiência visual é compensada com óculos ou lentes de contacto. Por esse motivo, não há estimativa global do número total de pessoas com deficiência visual (veja o Capítulo 2). Anteriormente, era apropriado que a oftalmologia confiasse na «acuidade visual apresentada» porque fornecia uma estimativa das necessidades oftalmológicas não atendidas. No entanto, para planear serviços e monitorizar o progresso de maneira eficaz, é importante ter informações sobre as necessidades atendidas e não atendidas do tratamento oftalmológico. Isto reveste-se de uma enorme importância, uma vez que indivíduos com erros refractivos têm uma necessidade contínua de serviços de oftalmologia.
A deficiência visual ocorre quando uma doença ocular afecta o sistema visual e uma ou mais funções visuais.
Quadro 1.2
Medição da acuidade visual e tabela de classificação da gravidade da deficiência visual
Acuidade visual
A acuidade visual é uma medida simples e não invasiva da capacidade do sistema visual de discriminar dois pontos de alto contraste no espaço.
A acuidade visual ao longe é geralmente avaliada usando um gráfico de visão a uma distância fixa (geralmente 6 metros (ou 20 pés). A linha menor lida no gráfico é escrita como uma fracção, em que o numerador se refere à distância em que o gráfico é exibido e o denominador é a distância em que um olho “saudável” é capaz de ler essa linha do gráfico de visão. Por exemplo, uma acuidade visual de 6/18 significa que, a 6 metros do gráfico de visão, uma pessoa pode ler uma letra que alguém com visão normal seria capaz de ver a 18 metros. A visão “Normal” é referida como 6/6.
A acuidade visual ao perto é medida de acordo com o menor tamanho de impressão que uma pessoa pode discernir a uma determinada distância de teste. Em pesquisas populacionais, a deficiência visual ao perto é geralmente classificada como uma acuidade visual ao perto inferior a N6 ou m 0,8 a 40 centímetros, onde N se refere ao tamanho da impressão com base no sistema de pontos usado no ramo da impressão e 6 é uma fonte de tamanho equivalente à impressão de jornal.
Classificação da gravidade da deficiência visual com base na acuidade visual no olho melhor

Normalmente, as pesquisas epidemiológicas medem o grau de deficiência visual e cegueira de acordo com a tabela de classificação acima, usando a acuidade visual. A deficiência visual grave e a cegueira também são categorizadas de acordo com o grau de constrição do campo visual central no olho melhor para menos de 20 ou 10 graus, respectivamente.
Quadro 1.3.
Evolução da classificação da deficiência visual
A classificação da deficiência visual usando a acuidade visual mudou com o tempo:
— Em 1972, um grupo de estudo da OMS estabeleceu categorias de deficiência visual e cegueira, a fim de facilitar a recolha de dados populacionais num formato uniforme. Naquele momento, a prevalência da deficiência visual foi calculada com base nas melhores correcções (isto é, testadas com óculos, se habitualmente usados ou com óculos reticulados) no olho melhor. O limite para categorizar a deficiência visual foi uma acuidade visual mais bem corrigida abaixo de 6/18, enquanto a cegueira foi categorizada como uma acuidade visual mais bem corrigida menor do que 3/60.
— Em 2010, a classificação da deficiência visual foi actualizada com base na premissa de que (i) o uso da acuidade visual “bem corrigida” não contabiliza uma grande proporção de pessoas com deficiência visual devido a erros refractivos não corrigidos; e (ii) não houve distinção entre aqueles que têm níveis variáveis de cegueira (por exemplo, nenhuma percepção da luz e aqueles que têm percepção da luz mas, ainda assim com medição inferior a 3/60 no olho melhor). Como resultado, a acuidade visual “mais bem corrigida” foi substituída pela acuidade visual “apresentada” (ou seja, a acuidade visual que uma pessoa apresenta no exame); a cegueira foi sub-categorizada em três níveis distintos de gravidade.
— Recentemente, alguns pesquisadores adoptaram um limite mais rigoroso para categorizar as deficiências visuais (ou seja, uma acuidade visual inferior a 6/12 no olho melhor) em reconhecimento de conjunto crescente de provas que demonstram que as reduções mais brandas na acuidade visual também afectam o funcionamento diário de indivíduos.
Quadro 1.4
Mudar a maneira como a deficiência visual é relatada
A medida da deficiência visual normalmente relatada em pesquisas populacionais baseia-se na acuidade visual no melhor olho de uma pessoa, conforme apresentado no exame. Se as pessoas usarem óculos ou lentes de contacto (por exemplo, para compensar a deficiência visual causada por um erro refractivo) a acuidade visual é medida com as lentes ou óculos colocados. Assim sendo, essas pessoas não serão categorizadas como tendo uma deficiência visual.
Medir a “acuidade visual apresentada” é útil para estimar o número de pessoas que precisam de cuidados oftalmológicos, incluindo correcção de erros refractivos, cirurgia ou reabilitação de catarata. No entanto, não é adequada para calcular o número total de pessoas com deficiência visual. Por esse motivo, é usada neste relatório a expressão “apresentam dificuldade de visão ao longe”, mas apenas para descrever a literatura publicada anteriormente que define a deficiência visual com base na medição da “acuidade visual apresentada”.
Para calcular o número total de pessoas com deficiência visual, a acuidade visual deve ser medida e relatada sem óculos ou sem lentes de contacto.
Grande parte da literatura publicada não relata comprometimento unilateral da visão, com a maioria optando por se concentrar apenas no comprometimento bilateral da visão. No entanto, um conjunto (menor) de literatura mostra que o comprometimento unilateral da visão afecta as funções visuais, incluindo a estereopsia (percepção de profundidade). Assim como as pessoas com comprometimento bilateral da visão, aquelas com comprometimento unilateral da visão são também mais propensas a problemas relacionados com a segurança (por exemplo, quedas) e à manutenção de uma vida independente. Estudos posteriores relatam que pacientes submetidos à cirurgia da catarata em ambos os olhos têm melhorias funcionais maiores do que pacientes submetidos à cirurgia apenas num olho.
A deficiência visual pode piorar à medida que uma doença ocular subjacente progride. No entanto, existem intervenções eficazes para a maioria das doenças oculares que levam à deficiência visual. São disso exemplo:
a) Erros refractivos, a causa mais comum das deficiências visuais, podem ser totalmente compensados com o uso de óculos ou lentes de contacto ou corrigidos por cirurgia a laser.
b) As deficiências visuais causadas por algumas doenças relacionadas com a idade, como glaucoma, não têm cura e não podem ser corrigidas. No entanto, estão disponíveis tratamentos e intervenções cirúrgicas eficazes capazes de atrasar ou impedir a progressão destes problemas.
c) As deficiências visuais causadas por outras doenças relacionadas com a idade, como a catarata, podem ser corrigidas com intervenções cirúrgicas. Dado que a catarata piora com o tempo, as pessoas que não forem tratadas sofrerão uma deficiência visual cada vez mais grave, o que pode levar à cegueira e a limitações significativas no seu funcionamento geral.
Nos casos em que a deficiência visual ou a cegueira não possam ser evitadas, como a degeneração macular relacionada com a idade avançada (particularmente a forma “seca” da condição), são necessários serviços de reabilitação para manter o pleno o funcionamento na vida quotidiana.
Os exemplos descritos acima destacam duas questões importantes: primeiro, existem intervenções eficazes para a grande maioria das doenças oculares que podem causar deficiência visual; e segundo, o acesso a intervenções pode reduzir significativamente ou eliminar a deficiência visual ou as limitações associadas ao funcionamento. A gama de intervenções disponíveis é descrita em mais detalhe no Capítulo 3.
Deficiência visual e incapacidade
Incapacidade refere-se às deficiências, limitações e restrições que uma pessoa com uma doença ocular enfrenta no curso da interacção com o seu meio físico, social ou comportamental.
Na CIF, a incapacidade abrange deficiências, as dificuldades que uma pessoa pode ter na realização de actividades como cuidados pessoais e os problemas que no envolvimento em situações da vida quotidiana, como ir à escola ou trabalhar. De acordo com a CIF, a deficiência vivenciada é determinada não apenas pela condição ocular, mas também pelo ambiente físico, social e comportamental em que a pessoa vive, e pela possibilidade de aceder um atendimento oftalmológico de qualidade, produtos de apoio (como óculos), e serviços de reabilitação.
Uma pessoa com uma doença ocular que apresente deficiência visual ou cegueira e enfrente barreiras contextuais, como não ter acesso a serviços de atendimento oftalmológico e ajudas técnicas, provavelmente terá limitações muito maiores ao seu funcionamento diário e, portanto, graus mais elevados de incapacidade.
Responder às necessidades de atendimento oftalmológico de pessoas com deficiência visual ou cegueira, incluindo reabilitação, é de extrema importância para garantir um funcionamento diário pleno. Além disso, é urgente uma ampla resposta da sociedade para que se cumpram os direitos das pessoas com deficiências de longo prazo (conforme exigido pela Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiências (CDPD)), para que as pessoas com deficiências visuais graves ou cegueira participem na sociedade em condições de igualdade com as outras pessoas.
Consequências para os indivíduos
A deficiência visual tem sérias consequências ao longo da vida, muitas das quais podem ser mitigadas pelo acesso atempado a cuidados e reabilitação oftalmológica de qualidade.
Não responder às necessidades, ou não cumprir os direitos das pessoas com deficiência visual, incluindo cegueira, tem consequências que abrangem mais do que a própria pessoa. A literatura existente mostra que o acesso insuficiente aos serviços oftalmológicos e de reabilitação e a outros serviços de apoio pode aumentar substancialmente o encargo da deficiência visual e do grau de deficiência visual em todas as fases da vida.
Crianças pequenas com deficiência visual grave de início precoce podem apresentar atraso no desenvolvimento motor, emocional, social, 1 cognitivo e de linguagem, com consequências ao longo da vida. Crianças em idade escolar com deficiência visual também podem ter níveis mais baixos de desempenho escolar e de auto-estima em relação aos seus pares com visão normal.
Os estudos têm demonstrado de forma consistente que a deficiência visual afecta com gravidade a qualidade de vida (QdV) dos pacientes em idade adulta. Uma grande proporção da população classifica a cegueira entre as doenças mais temidas, geralmente mais do que doenças como o cancro. Os adultos com deficiência visual geralmente apresentam taxas mais baixas de participação e produtividade na força de trabalho, bem como maiores taxas de depressão e ansiedade do que a população em geral. No caso de idosos, a deficiência visual pode contribuir para o isolamento social, dificuldade em caminhar, maior risco de quedas e fracturas, principalmente fracturas de quadril e maior probabilidade de entrada precoce casas de repouso ou lares. Também pode compor outros desafios, como mobilidade limitada ou declínio cognitivo.
Em termos gerais, as pessoas com deficiência visual grave apresentam taxas mais altas de violência e abuso, incluindo bullying e violência sexual; têm maior probabilidade de se envolver num acidente de automóvel; e podem achar mais difícil gerir outras condições de saúde, por exemplo, não conseguir ler os rótulos dos medicamentos.
Embora o número de pessoas com deficiências visuais graves seja substancial, a esmagadora maioria apresenta deficiências visuais leves ou moderadas. No entanto, pouco se sabe sobre as consequências do comprometimento leve e moderado da visão, por exemplo, no desenvolvimento de bebés e crianças, no desempenho educacional, na participação da força de trabalho e na produtividade. É evidente que, sem acesso a atendimento oftalmológico de qualidade e sem disponibilidade de óculos ou lentes de contacto adequados, o comprometimento leve ou moderado da visão pode afectar significativamente o bem-estar cognitivo, social e económico de um indivíduo.
Impacto nos familiares e prestadores de cuidados
O apoio de familiares, amigos e outros prestadores de cuidados é muitas vezes crucial, mas pode ter um impacto adverso no prestador de cuidados.
Os familiares, amigos e outros prestadores de cuidados são muitas vezes responsáveis por fornecer apoio físico, emocional e social a pessoas com deficiência visual grave. Exemplos desse apoio incluem acompanhar as crianças à escola; assistência com actividades da vida diária (por exemplo, compras, culinária, limpeza); ajuda financeira para comprar ajudas técnicas para melhorar o seu funcionamento em casa, aumentar a sua participação em serviços médicos e/ou de reabilitação e pagar por prestadores de cuidados externos; e apoio emocional em tempos difíceis.
Um conjunto crescente de observações sugere que o apoio dos membros da família influencia positivamente as pessoas com deficiência visual e pode levar a uma melhor adaptação à situação, maior satisfação com a vida, menos sintomas depressivos e melhor aceitação de serviços de reabilitação e produtos de assistência. No entanto, fornecer esse apoio pode ter consequências negativas para o cuidador e levar a um risco aumentado de condições de saúde física e mental, como ansiedade e depressão. É mais provável que isso ocorra quando o cuidador tem dificuldade em equilibrar as suas próprias necessidades com as do membro da família ou quando o dinheiro é escasso.
Além do apoio da família, amigos e outros cuidadores, uma resposta da sociedade é essencial. Os Estados-Membros precisam reconhecer as suas obrigações para cumprir todos os requisitos contidos nos 31 artigos da CDPD.
Impacto na sociedade
O estudo Global Burden of Disease (GBD) de 2017 classificou a deficiência visual, incluindo a cegueira, (entre todos os comprometimentos à saúde) como sendo a terceira causa de anos vividos com incapacidade. Além disso, o encargo social da deficiência visual e da cegueira é substancial, dado o seu impacto no emprego, na QdV e nos requisitos de assistência relacionados.
A deficiência visual também apresenta um enorme encargo financeiro global, como demonstrado por pesquisas anteriores que estimaram os custos de perda de produtividade. Por exemplo, um estudo recente em nove países estimou que o custo anual de deficiência visual moderada a grave variou entre 0,1 milhares de milhões de USD nas Honduras e 16,5 mil milhões de USD nos Estados Unidos da América. Os custos globais anuais das perdas de produtividade associadas à deficiência da visão por miopia e presbiopia não corrigidas estão estimados em 244 mil milhões e 25,4 mil milhões de USD, respectivamente. Note-se que o encargo económico da miopia não corrigida nas regiões do leste da Ásia, sul da Ásia e sudeste da Ásia foi relatado como sendo mais do que o dobro de outras regiões e equivalente a mais de 1% do produto interno bruto.
Relatório Mundial sobre a Visão
Organização Mundial da Saúde (OMS)
ALGUMAS ATIVIDADES





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