Casa de Acolhimento com moradia temporária em tempo integral a população em situação de rua. Fundada em 20/04/2016

 

Amor ao próximo. Essa é a expressão que mais identifica a senhora Maria Lúcia Batista Akutsu, de 66 anos, que está a frente da casa de acolhimento Associação Sacrário de Amor, localizada na Avenida Pedro José Larocca, no Jardim Santa Adélia, em Araraquara. A casa acolhe, atualmente, 30 homens com vício etílico ou em drogas, sendo que muitos deles foram recolhidos em situação de morador de rua.

            De acordo com Maria Akutsu, a casa não é uma clínica de recuperação, mas sim, um local de acolhimento que tem como tema básico da recuperação dos acolhidos a espiritualidade. “Aqui não administramos medicamentos, mas ensinamos o caminho da libertação do vício através da religiosidade. Além da assistente social que nos ajuda, temos quatro pessoas que trabalham de forma voluntária na casa. Muitas pessoas que nos procuram são moradores de rua que, muitas vezes, não têm família na cidade. Hoje temos 30 internos, mas, além deles, muitas pessoas chegam até aqui pedindo comida e, mesmo com dificuldade, a gente acaba ajudando a todos que nos procuram”, ressalta.

 

Mais de 200 atendidos em 4 anos

  Maria destaca que a associação não recebe nenhuma ajuda financeira governamental e nem de empresas, por isso, utiliza sua própria aposentadoria e de outros três internos para manter a instituição em funcionamento. A única fonte de renda gerada no local é da confecção de balas de coco que são vendidas pelos próprios internos pelos bairros da cidade. “Nós vivemos com dificuldade, pois pagamos R$ 1.650,00 de aluguel pelas duas chácaras que compreendem a associação, e a única ajuda que recebemos da prefeitura é através do Banco de Alimentos que nos fornece verduras e legumes semanalmente. Hoje possuímos também um grande valor na conta de água que estamos com dificuldade para quitar. Mas mesmo assim, não desistimos da nossa missão de devolver essas pessoas ao caminho certo, e nossa recompensa é vê-los saindo daqui com a dignidade restabelecida. Muitos saíram daqui e voltaram para suas famílias, voltaram a trabalhar. Isso não tem preço”, comemora.

Amor ao próximo

            Maria atribui como o motivo principal do trabalho voluntário que realiza no local ao ‘amor aos irmãos’. “Eu sempre trabalhei com grupos de oração na igreja católica e com trabalho voluntário, tanto aqui no Brasil com no Japão, país onde morei por 9 anos. Lá eu trabalhei com evangelização de brasileiros em quatro igrejas de quatro cidades distintas – Komaki, Kasugai, Tagimi e Misunami -, onde ajudei a formar quatro comunidades que participavam de grupos de oração, além de cursos de batizados, entre outras atividades. Uma situação que me chamou a atenção lá no Japão foi a alta taxa de depressão entre os moradores de rua, que dormem em pequenas casas feitas de madeira nas ruas das cidades. Fizemos muitos trabalhos humanitários com essas pessoas”, relatou.

            Maria destaca que depois que voltou ao Brasil, em 2011, trabalhou em uma rádio religiosa em Américo Brasiliense, onde formou três grupos de oração. E, há quatro anos, colocou em prática seu sonho de montar a casa de acolhimento que já atendeu cerca de 200 pessoas. “Entre as muitas histórias de superação que vivenciamos aqui, eu destaco a do casal Ricardo e Márcia Miranda. Os dois vieram de Taubaté para que ela se tratasse de uma tuberculose no Hospital Nestor Goulart Reis, em Américo Brasiliense. Durante os 9 meses em que a Márcia ficou internada, Ricardo veio até aqui, a princípio apenas para tomar um banho e se alimentar, porém, quando eu lhe perguntei se ele queria sair do vício em crack, que já durava cerca de 20 anos, e mudar de vida, ele se mostrou aberto a recuperação e se transformou em outra pessoa. Resumindo a história, quando se reencontraram depois que ela se curou da doença, se casaram e fomos chamados para sermos padrinhos. Os dois formaram uma bela família e vivem felizes até hoje. Eu não quero reconhecimento público pelo meu trabalho, a minha melhor recompensa é saber que isso é fruto do Sacrário. Minha alegria é quando vejo esses meninos caminhando”, concluiu.

 

Maria Lúcia Akutsu é homenageada com Diploma de Atuação na Política sobre Drogas 2019

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            Em uma solenidade marcada por lágrimas, abraços e muita emoção, a Câmara Municipal de Araraquara conferiu a Maria Lúcia Baptista Akutsu, idealizadora da Associação Sacrário de Amor, que acolhe homens adultos em situação de vulnerabilidade, o “Diploma de Atuação na Política Sobre Drogas” de 2019. O prêmio homenageia anualmente pessoas que se destacam por sua atuação no trabalho ligado nos aspectos de prevenção e cuidado, com o objetivo de incentivar ações da sociedade civil. A indicação do premiado é feita pelo Conselho Municipal de Políticas Sobre Drogas (Comad) mediante sugestões enviadas pelos vereadores, entidades, associações, sociedade civil, secretarias e conselhos municipais.

Durante a Sessão Solene, o presidente da Câmara Municipal de Araraquara, vereador Tenente Santana (MDB), observou que “o maior sonho de quase todos os que se envolvem com drogas é sair delas, e é nesse sonho que a Sra. Maria Lúcia acredita, caso contrário não realizaria o seu trabalho”. Falou sobre a importância de unir esforços em busca de soluções para as dificuldades enfrentadas pela Sacrário de Amor, inclusive uma alta dívida de consumo de água e o aluguel. “Contamos nos dedos as pessoas que têm a grandeza da Sra. Maria Lúcia. Precisaríamos de centenas, milhares de Marias Lúcias em nosso país para tentar minimizar nossos problemas.” O prefeito Edinho Silva (PT), que conhece a homenageada e seu trabalho há muitos anos, recordou sua trajetória à frente da entidade e reafirmou o apoio da Prefeitura. De acordo com o chefe do Executivo, há perspectivas positivas de solução para um dos principais desafios enfrentados pela associação, que é a sede. A Prefeitura está em negociação para fazer uma permuta com a proprietária da chácara onde a associação está localizada, de modo que deixem de pagar aluguel. Além disso, afirmou que “Maria Lúcia é uma pessoa abençoada, pelo tamanho do seu coração, pela sua capacidade de se pôr no lugar do outro, pela sensibilidade de acolher aqueles que mais precisam. É um ato de fé muito grande”.

Representando o Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas de Araraquara, Mirian Aparecida Onofre lembrou que a premiação se insere no contexto da 9ª Semana de Prevenção do Uso Abusivo de Drogas. A oradora destacou que “Maria Lúcia é um sinal de amor, um grande presente para todos nós, uma expressão de solidariedade, de fraternidade, uma expressão de Jesus aqui na Terra e que nos emociona muito”. Ela leu mensagens que os “meninos” (como são chamados os assistidos) escreveram para o seu 64º aniversário e encerrou agradecendo “a Deus e ao universo por tê-la tão perto de nós, um privilégio para Araraquara” e pedindo que as pessoas se solidarizem com a sua causa. A leitura do Decreto Legislativo de outorga do prêmio foi feita pelo vereador Roger Mendes (Progressistas), que quebrou o protocolo para se dirigir à família da homenageada: “São muito bonitas a compreensão e a dedicação de vocês, que fazem com que ela tenha serenidade para tocar esse trabalho, que é mudar e transformar a vida das pessoas”. Aos “meninos”, afirmou: “nós acreditamos em vocês. Se não fosse assim, não estaríamos tão empenhados em fazer com que aquele espaço possa ser ampliado. O valor da vida somos nós, seres humanos”.

Finalmente, a homenageada, emocionada, agradeceu aos amigos, às instituições e à família pelo apoio. “É uma missão que levo muito a sério. Tenho que amar esses meninos como amo a minha família. Todos os meninos me respeitam, do mais velho ao mais novo, todo mundo me chama de mãe. Eles chegam feridos, machucados, já tentando se suicidar. O meu amor é pequeno, mas ele se expande.” Ela falou de milagres cotidianos, como o dia em que tinha apenas um ovo para juntar ao arroz e feijão do almoço e dividir entre todos e, quando menos esperavam, chegaram 3 quilos de linguiça. “Assim é a providência na nossa casa. Deus é tão maravilhoso que não deixa faltar nada.” Encerrou convidando todos para “tomarem um cafezinho lá na nossa casa, que é de Nossa Senhora e de Jesus”. Estiveram presentes na Sessão Solene a secretária de Planejamento e Participação Popular, Maria José Scárdua, a presidente do Fundo Social de Solidariedade, Cidinha Silva, o presidente do Lions Clube Araraquara – Centro, Paulo Eduardo de Toledo Salgado, a diretora cultural da Associação Nipo Brasileira de Araraquara, Leiko Hanai, o coordenador de Planejamento e Participação Popular, Alcindo Sabino, o coordenador de Segurança Alimentar, Marcelo Mazetta, e o pároco de Santo Expedito e Nossa Senhora de Abadia, Frei Ângelo, além de familiares e amigos de Maria Lúcia.

 

A homenageada

Ainda criança, Maria Lúcia Baptista Akutsu conheceu a fome e a superação. Trabalhou no corte de cana com a mãe, que se separou do pai após muitos desentendimentos e foi embora para Ribeirão Preto (SP) com ela, dois irmãos e grávida de mais um filho. Ao chegarem, foram morar embaixo de uma árvore. Quando o irmão mais novo começou a chorar de fome, ela, com apenas 5 anos de idade, sentiu o impulso que marcaria o seu destino: levantou-se e foi procurar ajuda para quem necessitava. Bateu às portas da vizinhança e, graças à sua iniciativa, uma senhora acolheu a família e ajudou a mulher a encontrar trabalho e abrigo para os filhos. Mais tarde, o avô os encontrou e reuniu a família. Maria Lúcia ainda não tinha completado 16 anos de idade quando se casou com Takao Akutsu, seu marido há quase 50 anos, com quem tem três filhos – Mário, Cristina e Ronaldo – e quatro netos – Helen, Maria Eduarda, Junior e Henrique. Moraram durante nove anos no Japão, onde deu início à sua história de solidariedade e amor ao próximo, ajudando pessoas em situação de rua. De volta ao Brasil, criou a Associação Sacrário de Amor, com a proposta de acolher homens adultos em situação de vulnerabilidade, buscando favorecer uma mudança de vida. Os “meninos”, como são chamados os assistidos de Maria Lúcia, formam uma verdadeira família, com uma nova mãe e muitos irmãos. No Sacrário, encontram acolhimento, compreensão e amor. Com todos os desafios e dificuldades – os recursos financeiros proveem de sua aposentadoria e as de mais três “meninos” – a casa já acolheu cerca de 400 homens, que foram capazes de retomar suas vidas após o convívio no Sacrário do Amor. Hoje, 34 “meninos” estão vivendo no espaço. O lema de Maria Lúcia Akutsu, em todos esses anos, tem sido sempre o mesmo: “O que mais vale na vida é amar”.

 

Serviço

A Associação Sacrário de Amor conta com doações para sua manutenção, de recursos financeiros a materiais de limpeza, móveis, roupas em bom estado e gêneros alimentícios. Informações podem ser obtidas pelos telefones: (16) 99644-0453 ou 3358-0225.

 

 

 

Doações

Quem puder ajudar com doações em dinheiro ou até mesmo alimentos, móveis e roupas em bom estado, devem ligar nos telefones: (16) 99644-0453 ou 3358-0225.

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